Com mais de 20 anos, legislação não atende mercado amadurecido, que nos últimos tempos, ficou mais consciente e exigente
Com custo de até 15% em obras, portas apresentam defeitos freqüentes e prejudicam serviços. As portas representam em média de 5% a 15% do custo total de uma obra e aparecem entre os cinco itens que mais apresentam problemas na construção de um imóvel.
A conclusão resulta de pesquisa nacional realizada há três anos pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul junto a sindicatos da construção civil em 16 estados.
Os dados foram apresentados pelo engenheiro alagoano Roberto Pimentel Lopes, coordenador da Comissão de Estudos para Revisão de Normas de Portas da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. Ele acentuou que investigação é considerada atualizada, contou com a participação da Universidade Federal de Santa Maria (RS) e do apoio do Sebrae. Constata que “a ausência de revisão de legislação e das normas e padrões técnicos mostra que não houve alteração dessa realidade no Brasil”.
Lopes disse que, em países desenvolvidos, as portas são consideradas produtos nobres, produzidas com total qualidade e com a assistência técnica. No Brasil, ainda se busca padronizar e normatizar regras de desempenho para esse item, mas não há garantia de qualidade, apesar de ser um insumo representativo numa obra.
A Comissão de Estudos das Normas de Portas de Madeira da ABNT foi eleita em 2005 pelos fabricantes nacionais do produto e deverá concluir o trabalho até julho de 2006 com o objetivo de atualizar a legislação, usando como modelo o padrão europeu com o propósito de melhorar não só o desempenho das fábricas como também criar uma nova classificação, passando de material de construção para produto de acabamento em obra.
Cesta básica
A Comissão conta com representação de toda a cadeia produtiva, como o Sindicato da Indústria da Construção Civil, Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura, fornecedores de insumos de portas e universidades.
Diretor da fábrica Multidoor com sede em Maceió e uma unidade em São Paulo, Roberto Pimentel Lopes disse que na pesquisa foram avaliados 31 componentes da cesta básica de materiais de construção (aço para concreto, cal hidratada, blocos de concreto, blocos cerâmicos, lajes pré-moldadas, areia, telha cerâmica, portas e janelas de aço, de alumínio, e de madeira, janelas de PVC, dentre outros), que mais apresentam problemas de qualidade numa obra segundo a ótica de engenheiros e mestres de obras, arquitetos e diretores de empresas de construção civil.
Entre os cinco itens considerados mais problemáticos e que geram maiores índices de insatisfação, a porta aparece em quarto lugar (com 35%), atrás apenas de blocos cerâmicos (41%), chapas de compensado (39%) e concreto usinado (38%). A areia aparece em quinto colocado, com 30%.
Legislação
Para o engenheiro a pesquisa vem respaldar a “necessidade de analisar a legislação vigente, que tem mais de 20 anos, e não atende às expectativas de um mercado que amadureceu nos últimos tempos, ficando mais consciente e exigente, conquistando inclusive clientes no exterior”.
Empenamento na porta de madeira é uma das principais reclamações apontadas na pesquisa, além de falhas na colagem do laminado, a falta de padronização das dimensões, fabricantes com poucas qualifi-cações e desconhecimento das normas técnicas vigentes, o não cumprimento de prazo de entrega, embalagem imprópria e falta de garantia do produto completam as reclamações apresentadas na pesquisa.
Em Pernambuco, a pesquisa mostra a porta de madeira com 54% dos problemas numa obra, ocupando o segundo lugar. O mesmo ocorre em Santa Catarina e São Paulo, com 43%, e em segunda colocação, e no Paraná, com a porta de madeira em segundo lugar com 46%, perdendo apenas para as chapas de compensado. Alagoas (em nono lugar, com 16%) estado onde que sedia o grupo Pimentel Lopes/Multidoor, especialista em kits porta pronta e líder no mercado do Norte/Nordeste, o item porta de madeira não aparece entre os mais.
Fonte: Agência Sebrae de Notícias
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